
Eu estava a fazer um part-time com empregado de mesa num casamento, quando no final da festa um brasileiro na casa dos 40-45 anos, cristão, evangélico, perguntou a uma jovem (totalmente secularizada e pós-moderna) estudante de arquitectura, que estava ao meu lado a limpar copos.
Alguma vez já foste a uma igreja evangélica?
Ela respondeu: O quê? o que é isso? Uma religião?
Ele respondeu: Não, é uma igreja. Ela questiona mais uma vez: Mas qual a diferença para a igreja católica? O camarada disse: Professamos a Cristo como Senhor.
Para surpresa dele, acho eu, ela pergunta: Então tua igreja faz o mesmo que os católicos!
Ele ficou sem palavras, não sabia o que dizer por alguns momentos... Deu-me imensa vontade de rir, mas segurei para ver o que ele iria falar. Mas ele começou a dizer umas frases feitas e uns chavões que a miúda não entendia nada. Por fim ele desistiu e disse-me. Este povo tem um coração duro.
Este é um retrato da falta de conhecimento dos tempos presentes e de como viver o evangelho numa sociedade pós-moderna e pós-cristã. A grande maioria dos cristãos não conseguem viver o que falam e por isso não tem alcançado esta geração valorizando mais o discurso retórico do que passar tempo andando com os doentes, com os gays, a ouvir um político, a passar uma noite acordado ao lado de uma pessoa depressiva ou mesmo ouvir as declarações de um muçulmano. É necessário uma restruturação de pensamentos, de fé e de métodos para alcançar os pós-cristãos, caso contrário continuaremos a ser irrelevantes para a nossa sociedade.
19 comentários:
Valeu Junior. Concordo plenamente contigo. este é o ponto sobre o qual tenho me debruçado e busco meios para alcasnçar estes jovens pós-modernos. Gostaria de trocar informações contigo. Estamos a trabalhar sério com este fim aqui no norte do país e temos lido coisas muito boas sobre o assunto. Vamos nos falar. Abc. sidnei
Um grande abraço meu irmão, Deus te abençoe na tua caminhada.
Gostei do tema, infelizmente é geral. É necessário viver a palavra para poder falar, o espírito conduz.
Meu irmão ainda tens em teu poder a filmagem de Castro Marim?
Logo me dizes qualquer coisa.
Paz do Senhor
PTimor
Amado Junior, corremos o risco de confundir incapacidade de comunicação, com juízo de valor. "passar tempo andando com os doentes, com os gays, a ouvir um político, a passar uma noite acordado ao lado de uma pessoa depressiva ou mesmo ouvir as declarações de um muçulmano." não faz de alguém um bom cristão ou bom comunicador das Boas Novas.
É urgente capacitar-nos com ferramentas de comunicação eficientes para cada situação, e claro, em coerência com a nossa vida. Um abraço, Paulo Barata
Olá Júnior. Obriagdo por este exemploo estimulantes. No entanto, não vejo o elo entre a história e os teus comentários no último parágrafo. Concordo que a fé tem que ser vivida. No entanto, a fé (evangelho, a cerne da nossa identidade em Cristo) também tem que ser expresso (verbalmente) numa forma adequada. Assim, corcordo com o comentário do Paulo Barato.
Continua!
Big Brother Paulo B. eu uso as mesmas palavras que usaste "corremos o risco de confundir incapacidade de comunicação, com juízo de valor", assim como o camarada julga a miúda (o povo) de ter o coração duro por ele não ter conseguido passar sua crença ou fé para ela. A ideia de passar tempo com os marginalizados não significa ser bom cristão, e eu quetionaria: existe bom e/ou mal cristão? Estou a chamar a atenção para o trabalho "sujo" que não preferimos fazer, antes preferimos jogar o toca e foge, vamos ao mundo jogamos umas sementes e voltamos para nossa segurança. Concordo plenamente contigo de a necessidade de capacitação dos discípulos para viver e expor o Reino inclusivo de Deus. Se não fizermos uma leitura dos tempos (1Cr.12:32) não vamos conseguir navegar com 512Mb com a mesma eficácia a 16Gb ou mais.
Big Brother Tom!
Sim é isso mesmo forma adequada (diferente) para publico diferente. Seja verbalmente ou com os mais diferentes gestos!
No caso do último parágrafo realmente não tem elo directo, mas é que eu estava a ver mais a frente da situação com um olhar mais crítico e contra a minha própria vida e do meu estilo de viver as Escrituras.
Caraca maluco... vejo que tbm tem tido experiências em que esta gerando um debate sadio e eficiente... adoro isso!!!
Tenho passado por alguams coisas relacionados a isso tbm, como chamar músicos pra ministrarem junto comigo em alguns lugares sem que sejam "evangélicos", e ver que Deus continua quebrando paradigmas e sofismas principalmente.
Muito bom mesmo!
Saudades!!!
Também quero "meter o dedo neste bolo". Enquanto uns identificam pensamentos outros observam apenas. Mas, isso faz parte da diversidade. Se todos compreenderem a todos como seriam diferentes? A nossa sociedade já está global, e as culturas estão se dividindo dentro delas próprias. Mas não há grandes problemas nisso, creio que é até bom não sermos todos iguais em um mesmo lugar. Mas isso, faz confusão a muitas mentes, principalmente aquelas que não têm contacto com os diferentes. Abraço mano. Redner
ah, ah, ah...essa é boa..valeu :-)
"prego sempre o Evangelho...e quando necessário uso palavras"...
por vezes mais vale estar calado(a)...
quantos àqueles que não compreenderam o que o Junior quis dizer, eu acho que ele não disse que não devemos "pregar o Evangelho"...mas sim, o modo, e a linguagem usada para o fazer, muitas vezes é completamente inadequada, alienada e até incompreensívelç para muitos...
Jesus quando pregava o Evangelho falava de agricultura, falava de pesca, etc, aquilo com que o povo se identificava...só para os religiosos ele falava a linguagem deles, religiosa...
Para ser bem sincera agora, até eu, naõ percebo metade do que é falado em encontros cristãos :-)
Temos que reconhecer que foi criado um "evangeliquês" que só entende quem passa o tempo na "igreja" ...
Vamos ser honestos...
PAZ a todos...
Boa Ju...Bem dito....passamos mais tempo a falar do que a ser.
Aqui fica a minha opinião, que nada mais e senão isso:
Sinto que mesmo os que concordam, não alcançaram na totalidade o que o Junior esta a dizer.
Com todo o respeito, mas desde quando é que temos de ser "mais capacitados com ferramantas de comunicação eficientes"?
O que aconteceu a ferramenta que ja temos = BOCA!MÂOS!!!
A minha funciona na perfeição, mas na verdade a minha vida falará muito mais que a minha boca.
Tal como a Baba referiu, Jesus falava como todos falavam. Alias é a terceira vez esta semana que dou por mim a repetir isto: "Deus fez-se homem, andou conosco, comeu conosco, bebeu conosco, riu conosco, chorou conosco, falou a nossa lingua, de maneira simples"...sem sufismos, e outros "ismos".
"Ama o teu Deus, e ama o teu proximo como a ti mesmo."
Começa ai, e acaba ai.
Quando é que vão perceber?
"Ferramentas"? "Jovens Pós-Modernos"?
São pessoas, não são alvos a "abater"...
Prefiro um dia olhar pra tras na minha vida e ter tido 5 boas relações, que passam a 5 bons amigos, que passam a 5 irmãos, e isso implica a vida num todo, as derrotas, as vitórias, o bom o mau, o sujo, o suor as lagrimas, mas saber que caminhamos lado a lado, do que deixar a "semente" em 100 pessoas, e na volta nem 5 vão chegar a partilhar da minha fé.
A nossa própria caminhada com Jesus, é isso mesmo uma "caminhada".
O mundo está diferente, e "nós" fechados nas nossas igrejas de cave a apodrecer, mantemo-nos de costas viradas para o que se passa a nossa volta, e fazemos o que? "Apodrecemos" juntos.
Julgo que é necessário uma reforma no pensamento, e agora vou falar "envageliques":
Se o teu coração arde por esta geração, ainda bem, contudo se não a entendes ou fazes parte dela, então ora pra que Deus levante quem entenda, terás concerteza mais impacto dessa maneira. No fundo o que as pessoas precisam é de algo real, e sincero.
Sem agendas, sem segundas intenções.
Precisamos na minha opinião, de cristãos, que fazem o bem, pelo bem, sem esperar da altura certa pra dar a fisgada. Jesus não disse "ama o teu proximo como a ti mesmo, para que depois o possas converter, e depois segue para o próximo"
Ontem dei por mim a falar com um amigo meu que trabalha numa igreja, a queixar-se que tem trabalho a mais, e que esta sobrecarregado, que as pessoas esperam que ele faça tudo e mais alguma coisa, e ele tambem espera isso de si mesmo, que não tem tempo pra si mesmo, nem pra desfrutar da sua própria vida, ao que lhe perguntei: "O que tens tu neste momento na tua vida que alguem sem Jesus possa querer? Pelo que vejo tens a menos"
Amem-se a vos mesmos, tentem seguir a Jesus, nas coisas simples, caiam, errem, abracem a vossa humanidade, com todos os seus erros e falhas, e ai talvez entendam o milagre da graça, e talvez entendam esta "geração", ou qualquer geração que por ai vier.
Infelizmente, muitas vezes continuo a sentir mais alegria de estar vivo, num belo crepe de banana e chocolate com canela, num por do sol, num mergulho no mar, numa cerveja gelada num dia quente de verão, etc... do que sentado num banco de igreja. Não que isso não aconteça, mas não tanto, e prefiro ser sincero.
As minhas palavras são mais um desabafo do que uma critica ou um ataque a seja quem for, mas é triste pra mim que algo que é tão simples, seja tão dificil de atingir pela maioria das pessoas.
Vivemos num mundo tão diferente do plano original, mas continuamos a ser seres humanos, olhem pra, e veram que as nossas necessidades são as mesmas: Amor, aceitação, segurança, compreensão, e para dar e receber não precisamos de iphones, laptops, internet, televisões HD, ipods, etc. Se a tecnologia se torna-se obsoleta de repente, e todos os livros desaparecessem, aposto que todos se iriam encontram a si mesmos, e iriam encontrar os outros a sua volta, iriam encontrar a vida, e veriam Deus, e garanto-vos que seriamos todos mais felizes - simplesmente.
Ja falei demais...
"Paz a todos"
Abraço Junior
Beijo Baba
hehehe.... amo tudo isso!!!
Só pra lembrar e confundir ainda mais os "evangélicos" de plantão que quem disse a frase "Pregue o evangelho... e se preciso use palavras!" foi um padre...hehehe
Saudades mano!!! Entra depois lá e ve o post que coloquei o vídeo da Marcha o que um rapaz comentou...rs
Gostei do post e tenho vivido isso na minha vida de uma forma muito intensa. "Ser" o que eu creio, e não só limitar-me a falar muitas vezes sem fundamento pois eu também como a Baba muitas vezes nem entendo tudo =)
É isso aí..
para mais desenvolvimento, podem também ir ao meu blog
www.shantipilgrim.blogspot.com
é o único post em português ...prós portugueses :-)...
ía comentar aqui mais uma vez , mas... era muito para partilhar :-)
em Amor
Barbara
Ai cara, vejo tudo isto realmente como falta de capacitação espiritual,veja tão somen te o que prega e faz o espiritismo, é mais ou menos isto ai, temos que capacitar mais os nosssos jovens na espiritualidade.....
Ser, sentir/Amar, agir/servir, falar fazem parte da autenticidade necessária para Viver o cristianismo. Falar sem servir, ou amar sem falar são parcelas de uma equação que ficou a meio, insípida e sem resultado.
O VIVER atrás descrito deve ser uma verdade para os Modernos e Pós-Modernos, ambos reais na sociedade e ambos famintos de autenticidade.
Ser , sentir, agir e falar, podem e devem ser desenvolvidos e aperfeiçoados continuamente, quase sempre com esforço para que todos possam conhecer a VERDADE.
Tiago Aragão
Pessoal, obrigado pelo vosso comentário! Meu pensamento foi re-confirmado por um amigo ao dizer que nos falta base das Escrituras para apoiar o que pensamos. Eu já tinha visto que os comentário não apresentam base das Escrituras, mas qual o problema? A linha é muito ténue e corremos o risco de expressarmos, com boa intenção, nossa vontade de ver o crescimento do Reino mas vivemos e somos influenciados por aquilo que está a nossa volta. Já nosso irmão Paulo nos advertia: "Tenham cuidado para que ninguém vos domine por meio de filosofias engenhosas e enganadoras, baseadas em tradições humanas e reflectindo a sabedoria falível deste mundo, (vejam bem) mas que não corresponde à doutrina de Cristo" (Cl.2:8 / Ef.5:6).
Não devemos partir do princípio e ter como base a nossa cultura, mas sim as Escrituras de Deus. Ela deve ser nossa base sólida e absoluta.
O Salmista já dizia "Escondi a tua Palavra no meu coração, para eu não pecar para ti" (Sl.119:11). O desafio é este, confrontar nossa "visão" e ideias com a própria Palavra de Deus para ver se de facto não estamos ser influenciados pela nossa cultura, talvez pós-moderna, e baseada em tradições humanas falíveis.
Uma vez voei da Guiné para a argentina com a zeza e um amigo da serra leoa. Como cristão dedicado, o meu amigo iniciou uma conversa com uma sueca que estava sentada ao lado dele, com a pretensão de a evangelizar, não tardou muito e o meu amigo gritou-me com os olhos arregalados:
"Ela não acredita na existência de Deus..."
Era impensável para um fula convertido ao cristianismo do islamismo, que alguém em todo o planeta admitisse o pensamento de que Deus não existia, no entanto estava à sua frente alguém que se dizia convencida da inexistência de Deus.
Se não nos preparamos para a evolução que o nosso mundo está a ter, podemos arranjar as desculpas que quisermos, mas seremos como aquele rapaz da serra leoa, honestos, mas desadequados...
Caros Rodrigo e Zeza, isso não é novidade, já era assim no tempo de Noé. A tentação do racionalismo leva-nos muitas vezes a pensar que somos nós que convertemos alguém pelo 'nosso exemplo' (supostamente 'bom') ou pela nossa argumentação 'criativa' (supostamente 'inteligente'). Um verdadeiro cristão nunca é irrelevante, quaisquer que sejam as suas idiossincrasias, seja qual for a sua origem, cultura, formação ou QI pois é o poder de Deus nele que faz a diferença. A tal sueca pode não querer falar com alguém sobre o assunto...a propósito acham que a sueca era muito evoluída! Talvez ela pense que sim mas talvez mude de ideias quando voltar de África...
lol
Uma vez no Egipto um taxista perguntou-me qual era a minha religião...ao que eu respondi...todas.
Acho que ainda hoje ele ainda não percebeu como isso é possivel hehehe
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